A Noite e a Madrugada
O médico, que lhes tinha um desprezo de asco, livrava‑os muitas vezes da morte, como fez a Joana, e seu ventre preguiçoso, cujo feto apodrecido e negro teve de ser puxado a ferros.
O Dr. Providencia achava que podia dominar os miseráveis pelo terror, e os pavorosos casos clínicos a que ele acudia não eram mais do que bem‑aventuranças dos Ceus: «a fome e a doença tornavam mais doceis os camponeses». E, assim, submissos e domesticados, ele os ofertava aos suseranos da terra, perante as suas mesas fartas.
Do Prefácio, Ana Margarida de Carvalho
| ISBN | 9789722130981 |
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| Editora | Editorial Caminho |
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Fernando Namora nasceu em Condeixa (15 de abril de 1919) e licenciou-se em Medicina na Universidade de Coimbra.
É no ambiente coimbrão, sobretudo no meio estudantil, que as suas primeiras obras radicam.
Fernando Namora é um dos mais destacados criadores do neorrealismo, a que deu uma feição peculiar, sobretudo quando a sua arte absorve, renova, a mais genuína tradição picaresca peninsular ou as experiências da modernidade.
Fernando Namora foi galardoado com prémios tão relevantes como o José Lins do Rego, o Prémio Ricardo Malheiros, da Academia de Ciências de Lisboa, os SOPEM e D. Dinis, entre vários. Foi agraciado com o Grande Oficialato da Ordem de Santiago e com a Grã Cruz da Ordem do Infante Dom Henrique em 1988. Fernando Namora morreu em 31 de janeiro de 1989.







