Naquele Tempo
Desejaria, como Ricoeur diz também, reabrir o passado para reavivar
nele as potencialidades não cumpridas, impedidas, ou mesmo massacradas,
particularmente aquelas que a proclamação do Evangelho reclama sempre
que é ritualmente anunciado. Desejaria que as minhas explorações
do passado não fossem viagens a um reino de sombras, nem mitificação
de factos pretensamente privilegiados, mas revelação do que sempre
de novo existe no passado, do que sempre de novo o traz até nós,
do que sempre de novo nos impulsiona no presente, do que sempre
de novo deveríamos transmitir a quem vier depois. Desejaria... Infelizmente
os desejos ficam muitas vezes longe do seu cumprimento. Mesmo que
me aproximasse deste ideal, nem por isso ele se comunicaria automaticamente
a ninguém. Só a busca de cada um dos meus leitores o pode trazer à existência.
Esse Ewiges neues de que falava Goethe só se torna realidade
quando alguém o descobre.
Do Prefácio do Autor
| ISBN | 9789896440527 |
|---|---|
| Editora | Temas e Debates |
| Categorias |
José Mattoso (1933-2023) foi uma das mais prestigiadas figuras da historiografia portuguesa e internacional. Professor catedrático jubilado da Universidade Nova de Lisboa, foi distinguido com alguns dos mais importantes prémios na área da investigação, como o Prémio Alfredo Pimenta de História Medieval (1985), o Prémio Pessoa pelo conjunto da sua obra (1987) e o Prémio da Latinidade (2007). Dos seus livros, destacam-se a aclamada biografia D. Afonso Henriques, a colectânea de ensaios sobre história medieval Naquele Tempo e a direcção de História da Vida Privada em Portugal.

















