Amnésia Transcultural - Para Uma Cartografia de Memórias Deslocalizadas
Relativamente à mobilidade transcultural, afirmava James Clifford, há vinte anos, em Routes. Travel and Translation in the late Twentieth Century que, a longo prazo, nenhuma cultura pode sobreviver sem contactos interculturais. Assim, qualquer conceito cultural baseado em visões puristas e idealizações essencialistas deveria ser abandonado em favor de uma visão das culturas como consequências de processos transitórios e complexos de mistura e hibridização.
O principal objetivo da conferência, de que resultou este livro, foi o de contribuir para uma cartografia global dos lugares de memória marcados pelos seres humanos que, quer forçados, quer por escolha própria, se viram na contingência de ter de atravessar fronteiras, em diferentes períodos históricos, contextos políticos, sociais e económicos, e cujas experiências raramente são/foram recordadas, e muito menos comemoradas, pelas culturas locais.
| Editora | Humus |
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| Editora | Humus |
| Negar Chronopost e Cobrança | Não |
| Autores | Joanne Paisana, Margarida Esteves Pereira, Mário Matos |
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Postigos para o MundoO objecto de reflexão e análise deste trabalho é constituído pela complexa inter-relação entre o turismo, que no hemisfério dos países industrializados se transformou, durante a segunda metade do século XX, num fenómeno de massas, e as suas múltiplas formas e modos de media(tiz)ação num regime político e sistema sociocultural em que, ao longo dos quarenta anos da sua existência, o multifacetado tópico da viagem desempenhou, a vários níveis, um papel invulgarmente significativo. Em contraste com outras sociedades contemporâneas situadas a ocidente da «Cortina de Ferro», cuja concepção liberal entendia o turismo e contacto intercultural como um domínio apolítico por excelência, na República Democrática Alemã (RDA) verificou-se nessa área um dirigismo estatal que se revestiu sempre de uma grande relevância para a manutenção do sistema político e societal, dirigismo esse que, por ironia da História, viria, por fim, a revelar-se um dos factores mais determinantes para a sua própria implosão. -
O Chamego de Pablito e Outros ContosO fio condutor que dá coerência a esta colectânea de contos percorre uma linha temática que toca o insólito, o inesperado, o paradoxo. Tais ingredientes, presentes, implícita ou explicitamente no relato de episódios da vida humana, interagem em contínuo jogo, em diálogo permanente entre si e entre a realidade e a ficção, entre temporalidades. Esta obra de estreia, escrita entre uma cadeira de hemodiálise e uma enfermaria do Hospital de Santa Maria, questiona a complexidade da vida e da existência humana, aponta problemáticas, sugere abordagens e novas incursões.
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A Ciência dos SímbolosAs primeiras tentativas de classificação coerente, de comparação sistemática e interpretação dos símbolos remontam ao séc. XVI. Após 50 anos, a evolução das ciências humanas permitiu estudar signos, símbolos e mitos nas suas relações com os métodos e os princípios das suas diversas interpretações. O leitor não deve esperar encontrar aqui um dicionário de símbolos que o ajudará a compreender uma língua obscura a partir de uma tradução dos seus signos, antes a exposição dos princípios, métodos e estruturas da simbólica geral, ou ciência dos símbolos. Nada está mais próximo desta língua dos símbolos do que a música: se se ignora o solfejo e as regras da harmonia, da mesma forma que se recusa a aprendizagem da gramática de uma língua, o melhor dicionário do mundo não permite entender realmente, e ainda menos falar. Penetrar no mundo dos símbolos, é tentar perceber as vibrações harmónicas, «adivinhar uma música do universo». -
Tudo do AmorA procura pelo amor continua mesmo perante as maiores improbabilidades. TUDO DO AMOR, ensaio marcadamente pessoal e uma das obras mais populares de bell hooks, indaga o significado do amor na cultura ocidental, empenhando-se em desconstruir lugares-comuns e representações que mascaram relações de poder e de dominação.Contrariando o pensamento corrente, que tantas vezes julga o amor como fraqueza ou atributo do que não é racional, bell hooks defende que, mais do que um sentimento, o amor é uma acção poderosa, capaz de transformar o cinismo, o materialismo e a ganância que norteiam as sociedades contemporâneas. Tudo do Amor propõe uma outra visão do mundo sob uma nova ética amorosa, determinada a edificar uma sociedade verdadeiramente igualitária, honesta e comprometida com o bem-estar colectivo. -
A Natureza da CulturaNesta obra, A. L. Kroeber reúne artigos seus publicados entre 1901 e 1951. São textos de cariz teórico, em que autor desenvolve a sua própria concepção sobre o lugar e o método da antropologia cultural. -
O SagradoDesde a sensação de terror que o sagrado inspirava aos primeiros homens até à teoria do sobrenatural ou do transcendente que atribuímos hoje a certos fenómenos misteriosos, o autor examina as diferentes formas de exprimir este sentimento através das múltiplas manifestações religiosas. -
«O Modo Português de Estar no Mundo» - O Luso-Tropicalismo e a Ideologia Colonial Portuguesa (1933-1961)Prémio de História Contemporânea da Universidade do Minho O livro fornece pistas para se compreender a persistência, mais de 20 anos após a independência das antigas colónias portuguesas, de um discurso transversal ao espectro político e ideológico nacional que acentua a imunidade dos portugueses ao racismo, a sua predisposição para o convívio com outros povos e culturas e a sua vocação ecuménica. -
Os Domínios do ParentescoOs domínios do parentesco situam-se na confluência de duas linguagens: a da etnologia, que se esforça por situar as regiões, os contornos e as fronteiras desses domínios, e a das sociedades que a etnologia observa e a que vai buscar as terminologias, as classificações e as regras. Esclarecer estas duas linguagens e relacioná-las é um dos objectivos deste livro, que se pretende uma iniciação à chamada antropologia do parentesco. Falar de parentesco é também e é já falar de outra coisa (numa e noutra linguagem); qual a natureza da relação entre o parentesco e os outros sectores de representação? Que significa a assimilação do parentesco a uma linguagem ou a sua definição como região dominante em certos tipos de sociedade? Que significam as regras de casamento? - são algumas das perguntas que esta obra tenta reformular e às quais procura por vezes responder. Uma análise do vocabulário técnico, um glossário inglês/português, uma importante documentação bibliográfica, reflexões sobre os autores, análises de textos e o balanço de uma investigação pontual: tais são os elementos de informação e de reflexão que aqui se propõem. -
Cultura e ComunicaçãoUma análise concisa das teorias estruturalistas dos fenómenos antropológicos, destinada a esclarecer os conceitos da «semiologia» com base no pressuposto de que os gestos, na comunicação não verbal, apenas adquirem significado como membros de conjuntos, à semelhança do que ocorre com os sons na linguagem falada. -
O Bode ExpiatórioEm O Bode Expiatório, René Girard, um dos críticos mais profundos e originais do nosso tempo, prossegue a sua reflexão sobre o «mecanismo sacrificial», ao qual devemos, do ponto de vista antropológico, a civilização e a religião, e, do ponto de vista histórico e psicológico, os fenómenos de violência coletiva de que o século XX foi a suprema testemunha e que mesmo hoje ameaçam a coabitação dos humanos sobre a Terra.Ao aplicar a sua abordagem a «textos persecutórios», documentos que relatam o fenómeno da violência coletiva da perspetiva do perseguidor tais como o Julgamento do Rei de Navarra, do poeta medieval Gillaume de Machaut, que culpa os judeus pela Peste Negra, Girard descobriu que estes apresentam surpreendentes semelhanças estruturais com os mitos, o que o leva a concluir que por trás de cada mito se esconde um episódio real de perseguição.A arrojada hipótese girardiana da reposição da harmonia social, interrompida por surtos de violência generalizada, através da expiação de um bode expiatório constitui uma poderosa e coerente teoria da história e da cultura.